Entre os personagens da Nintendo, a bolota rosa conhecida como Kirby sempre figurou na segunda linha. Seus jogos nunca tiveram a importância de um Mario, Zelda ou Pokémon, embora tenham aparecido para todas as plataformas da marca, em inúmeros lançamentos.
Mas com Kirby: Canvas Curse finalmente chegou a vez de Kirby brilhar, e se oferecer como estrela do jogo mais criativo e divertido do Nintendo DS.
Habemus Kirbum
A história de Canvas Curse é uma variação do script essencial para jogos do DS. Um feiticeiro mal intencionado transformou "Dreamland" em um quadro entupido de criaturas más, e ainda amaldiçoou Kirby reduzindo sua forma à de uma bola, sem as pernas. Cabe a ele agora rolar e restaurar as formas originais de "Dreamland" e dele próprio.
Com seu jeitinho esférico de ser, Kirby irá percorrer mundos super-coloridos, que lembram a arte dos melhores da Nintendo, como Yoshi¿s Island. O jogador interfere apenas com a divina caneta "stylus" (a versão japonesa vem com uma variação rosa da mesma), e desenha caminhos com cores do arco-íris para guiar e proteger o rolante Kirby.
O conceito é muito simples, mas parece ser a aplicação dos sonhos dos designers do Nintendo DS. Temos um jogo de plataforma clássico, mas que é controlado totalmente pelo desenho, por linhas traçadas na tela. Se Kirby se aproxima de um buraco, desenhamos uma rampa para tapá-lo; se está indo na direção errada, fazemos uma parede para ele bater e voltar; curvas e espirais desenhadas podem fazer com que ele rodopie e ganhe velocidade; e tiros de canhão, espinhos e outros projéteis lançados contra o herói podem ser anulados com o simples desenho de um escudo/linha. Com a caneta, ainda podemos dar um "peteleco" em Kirby e fazê-lo girar em alta-velocidade, matando os inimigos que estejam no caminho.
Grande parte da graça do jogo está em desenhar caminhos e proteções, mas Kirby e a caneta também possuem algum poder de destruição. É possível, por exemplo, atordoar os inimigos e deixá-los vulneráveis batendo sobre eles com a ponta da caneta. E como em Mario, alguns inimigos destruídos podem dar poderes especiais, como transformar Kirby em uma sólida pedra rosa que afunda na água, destrói inimigos e até pedaços do cenário.
Canvas Curse é dividido em oito mundos, com três fases em cada. Mundos gelados, vulcões em erupção, paredes de lava, cavernas inundadas e até cenários futuristas sem gravidade propiciam situações de jogabilidade pura e intensa. A qualquer momento a bola pode estar sendo sugada por um cano ou propalada por ventiladores rumo a uma parede de espinhos, e o jogador precisa estar atento para improvisar soluções e desenhos, e manter Kirby no seu rumo. O jogo é intenso e divertidíssimo, do começo ao fim. E fica BEM difícil nos dois últimos mundos.
Como num digno jogo da Nintendo, confrontos com chefes aguardam o jogador na conclusão de cada mundo. Mas surpreendentemente, estes confrontos são a parte menos criativa: são apenas três chefes que se repetem duas vezes ao longo da jornada, e a forma de derrotá-los não chega a empolgar como o resto.
Visualmente, Canvas Curse apresenta o melhor estilo de arte 2D da Nintendo. Como dito, lembra o visual de jogos de plataforma do SNES como Super Mario World e Yoshi¿s Story, e é muito bonito. Da mesma forma, a sonoplastia para a bola picando, sendo sugada ou caindo na água é muito divertida, e ajuda a compor o charme 2D do jogo.
Kirby: Canvas Curse é jogabilidade em sua mais pura forma. O estilo de plataforma lembra os clássicos episódios de Mario e Yoshi para SNES, mas desta vez há a caneta "stylus" como controle -- um elemento totalmente original e que renova o gênero. Quem esperava por um jogo AAA para o Nintendo DS deve ignorar os mascotes tradicionais e olhar com respeito, e sem preconceito, para a bolota rosa sorridente chamada Kirby.